CADERNO DOS MICRORGANISMOS EFICIENTEs (EM) Instruções práticas sobre usoecológico e social do EM

Introdução

O ser humano somente terá saúde se os alimentos possuírem energia vital. Os alimentos só possuem energia vital se as plantas forem saudáveis. As plantas somente serão saudáveis se o solo for saudável.

Solo sadio > Planta sadia > Ser Humano sadio.


O solo é o início e o fim. O alimento, a água e o oxigênio vêm do solo e das plantas. O organismo humano é o que o solo faz dele. O organismo humano é o que recebe por meio da alimentação. Solo sadio, significa humanidade com saúde, com consciência e com os propósitos mais dignos de Vida. O solo sadio é agregado, grumoso, poroso, receptivo a: ar, água e raízes das plantas. No solo sadio nada impede o desenvolvimento radicular e a água não fica parada. Solo sadio não possui crosta superficial, nem compactações e nem erosão. Solo sadio é puro, sem resíduos tóxicos, sem metais pesados, com nutrientes em equilíbrio. As plantas que crescem nos solos sadios são saudáveis, sem pragas e doenças e têm alto valor biológico. O solo saudável é mantido pelos organismos do solo: macrorganismos (aranhas, formigas, minhocas,...) e pelos microrganismos (bactérias, fungos, leveduras, actinomicetos,...).

Estes organismos trabalham de modo coletivo e fazem as transformações da matéria orgânica. Agregam o solo e mantêm no solo os poros onde entra o ar e a água indispensáveis à produção vegetal.


No Brasil o clima é tropical: quente e úmido. Os solos são profundos e de baixa riqueza mineral. A reciclagem da matéria orgânica garante o alimento natural às plantas. Nos solos brasileiros a reciclagem da matéria orgânica é rápida mediante a enorme quantidade de microvida (20 milhões de fungos e bactérias por 1 cm3 de solo) e a atividade das raízes, aliadas às condições climáticas. Este sistema permitiu o desenvolvimento da floresta mais frondosa do mundo, a Amazônica, em solos extremamente pobres. A diversidade aqui é rica. Plantas diversas podem explorar o mesmo espaço de solo e com isso aumentam: as excreções radiculares, o número de espécies de microrganismos, a mobilização de nutrientes e o crescimento vegetal. Por serem profundos permitem maior enraizamento e a exploração de volume muito grande do solo. A base da produtividade tropical é a reciclagem rápida da matéria orgânica do solo e a intensa relação: planta-excreções-radiculares-microrganismos-nutrientes. As plantas absorvem a energia luminosa do sol. Com o gás carbônico do ar, com a água, com minerais e catalisadores, transformam energia solar em energia química. Assim, pela fotossíntese, as plantas formam a matéria orgânica. A matéria orgânica vegetal não é adubo diretamente. Mas é alimento da vida e do solo. Organismos vivos do solo se alimentam da matéria orgânica (folhas, galhos,...) e também das excreções radiculares das plantas. Pela matéria orgânica vivem os organismos do solo que mobilizam os nutrientes.

A microvida é muito ativa e eficiente. Essa microvida eficiente (microrganismos) libera os nutrientes da matéria orgânica, fixa o nitrogênio do ar e produz substâncias protetoras das plantas.


Histórico sobre os Microrganismos Eficientes (EM) O estudo sobre os microrganismos eficientes (effective microorganisms ‒ EM) foi iniciado na década de 70 pelo Dr. Teruo Higa, professor da Universidade de Ryukyus (Japão). O objetivo era melhorar a utilização da matéria orgânica na produção agrícola. Em 1982 foram feitas experimentações com EM em campo, nas várias regiões do Japão, com resultados positivos. Posteriormente, em outros países, inclusive no Brasil, foi confirmada a eficiência do EM na ciclagem da matéria orgânica. A utilização do EM, como prática agrícola adequada ao ambiente e a saúde humana, se aproximou muito da Agricultura Natural Messiânica preconizada por Mokiti Okada, em 1935, no Japão. Na Agricultura Natural são utilizadas tecnologias ecológicas, com máximo proveito da natureza, das ações do solo, dos organismos vivos, da energia solar, dos recursos hídricos. As técnicas fundamentam-se no método natural de formação do solo. Utilizando corretamente as forças e a energia da natureza, é possível obter produção agrícola suficiente, sem fertilizantes nem agrotóxicos. Árvores e ervas crescem naturalmente sem prejuízos pelos insetos. Seguindo os caminhos da natureza é possível alcançar colheitas abundantes, sadias, saborosas e nutritivas. Na agricultura natural são usados: composto, cobertura morta, adubação verde, microrganismos do solo, controle biológico de insetos, controle biomecânico de plantas espontâneas. Na agricultura natural é praticado o princípio da reciclagem de recursos naturais e o enriquecimento da matéria orgânica com microrganismos do solo tornando a atividade agrícola duradoura e racional. Portanto, a agricultura natural é modelo de desenvolvimento rural, é agricultura sustentável e competitiva. O método da Agricultura Natural não emprega produtos químicos ou esterco animal. É feito o uso de sobras de vegetais que conservam a pureza do solo e permitem a reciclagem dos nutrientes. O método de cultivo natural tem implicações econômicas, sociais, com a saúde e a ecologia. A Agricultura Natural visa: ‒ produzir alimentos de qualidade que mantêm e incrementam a saúde humana; ‒ proporcionar vantagens espirituais e econômicas aos produtores e consumidores; ‒ ser praticável por qualquer pessoa e ser permanente; ‒ a conservação do meio ambiente; ‒ produção de alimentos em quantidades correspondentes ao aumento populacional. O EM é utilizado em diversos países e em todos os continentes. A utilização do EM foi iniciada experimentalmente no Brasil na Fundação Mokiti Okada, Atibaia-SP. Foi introduzida entre os praticantes da Agricultura Natural.


Quem são os Microrganismos Eficientes (EM)? Os microrganismos são minúsculos seres vivos. Apesar de extremamente pequenos e simples, exercem função primordial, desde a captação de energia solar, até suas transformações na Terra. São dois grandes grupos: os microrganismos de regeneração, e os microrganismos degenerativos. Os microrganismos regenerativos produzem substâncias orgânicas úteis às plantas, e via metabolismo secundário podem produzir hormônios e vitaminas. Melhoram as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. Estão nesse grupo os microrganismos que constituem o EM. Os microrganismos degenerativos produzem no seu metabolismo primário substâncias como amônia, sulfeto de hidrogênio, com ação prejudicial à planta e endurecem o solo. Consequentemente impedem o crescimento das plantas e favorecem infestações de pragas e doenças. O EM é formado pela comunidade de microrganismos encontrados naturalmente em solos férteis e em plantas, que coexistem quando em meio líquido. Quatro grupos de microrganismos compõem o EM: ‒ Leveduras (Sacharomyces): utilizam substâncias liberadas pelas raízes das plantas, sintetizam vitaminas e ativam outros microrganismos eficazes do solo. As substâncias bioativas, tais como hormônios e enzimas produzidas pelas leveduras, provocam atividade celular até nas raízes.


Actinomicetos: controlam fungos e bactérias patogênicas e também aumentam a resistência das plantas. ‒ Bactérias produtoras de ácido lático (Lactobacillus e Pediococcus): produzem ácido lático que controla alguns microrganismos nocivos como o Fusarium. Pela fermentação da matéria orgânica não curtida liberam nutrientes às plantas. ‒ Bactérias fotossintéticas: utilizam a energia solar em forma de luz e calor. Também utilizam substâncias excretadas pelas raízes das plantas na síntese de vitaminas e nutrientes, aminoácidos, ácidos nucleicos, substâncias bioativas e açúcares, que favorecem o crescimento das plantas. Aumentam as populações de outros microrganismos eficazes, como os fixadores de nitrogênio, os actinomicetos e os fungos micorrízicos. Como trabalham os microrganismos eficientes? Os microrganismos retiram da matéria orgânica (restos vegetais e animais) os seus alimentos. Nesta decomposição há redução do todo em partes e compostos menores são liberados no ambiente. Muitos destes compostos são nutrientes, hormônios, vitaminas que alimentam a própria comunidade microbiana, além de animais e plantas. Os microrganismos ainda liberam no ambiente alguns compostos que aumentam a resistência das plantas aos insetos e doenças. A decomposição da matéria orgânica no solo faz proliferar grupos de microrganismos, que estruturam o solo, agre12 gam melhor as partículas minerais, evitam compactação e aumentam: a porosidade, a infiltração de água, a água disponível e a profundidade de enraizamento. Há redução da erosão e da frequência de irrigação. A matéria orgânica de origem animal é decomposta pelos microrganismos do EM, liberando substâncias úteis ao crescimento das plantas e ao equilíbrio do solo. Os microrganismos eficientes decompõem a matéria orgânica de modo equilibrado, com pouco gasto de energia/de tempo, mantêm a estabilidade do sistema, sustentam a vida, colaboram na construção do solo vivo e saudável. No solo vivo e saudável os microrganismos transformam a matéria orgânica que sustenta plantas vigorosas e produtivas, como nas matas, provendo alimento a toda a vida na Terra. Modo de Preparo do EM Os Microrganismos Eficientes são várias espécies de bactérias, actinomicetos, bacilos e fungos mantidos em líquido. Após o acréscimo de melado de cana há fermentação (aumento da quantidade de microrganismos) e ficam disponíveis ao uso no líquido. O EM também é comercializado pela Fundação Mokiti Okada. Entretanto é reconhecido pela população o método caseiro de captura dos microrganismos e de preparo do EM/solo (denominação dada ao composto microbiano fermentado de uso em solos) e ao EM/planta (composto microbiano fermentado de uso em plantas). Será adotado neste texto exclusivamente a denominação EM/solo e EM/planta que caracterizam a tecnologia social não empresarial do EM.


A produção do EM pela família agrícola permite que essa tecnologia social seja mais adaptável às condições locais e seja acessível pelo baixo custo e pelas facilidades. Os microrganismos deverão ser capturados em solo saudável, sob mata, na unidade agrícola (na terra